Para entender quais são as melhores práticas para prevenir disputas, é importante identificar os tipos mais comuns de disputas relacionadas à confiança e, em seguida, discutir as melhores práticas para ajudar a prevenir cada tipo:
Seleção Fiduciária
A maioria das disputas relacionadas a patrimônio e fideicomissos decorre de administradores fiduciários que não cumprem adequadamente seus deveres. Essa falha é denominada violação do dever fiduciário.
A pessoa que elabora o planejamento sucessório deve ser criteriosa na escolha de seus fiduciários, priorizando candidatos que demonstrem maior probabilidade de serem diligentes, honestos e prudentes em suas funções. Os clientes também devem estar cientes dos problemas que podem surgir quando membros da família assumem funções fiduciárias que lhes permitem controlar ou influenciar os interesses de outros familiares.
Os documentos de planejamento patrimonial devem ser muito claros quanto aos direitos dos beneficiários e aos direitos e responsabilidades dos fiduciários, para ajudar a garantir que tanto os beneficiários quanto os fiduciários compreendam claramente quais informações devem ser fornecidas e com que frequência, quais investimentos e outras transações podem ser feitas e quais direitos os beneficiários têm em relação às distribuições do fundo fiduciário.
Por fim, os documentos de planejamento patrimonial devem prever maneiras para que os beneficiários removam um mau administrador fiduciário sem precisar entrar com um processo judicial.
Validade da confiança
Outra forma comum de disputas relacionadas a fideicomissos decorre da validade do próprio fideicomisso. A validade é frequentemente contestada demonstrando-se que (i) a pessoa que assinou o documento não possuía o conhecimento e a consciência mínimos necessários para torná-lo legalmente válido, (ii) uma cláusula do fideicomisso não expressa verdadeiramente a intenção do instituidor ou (iii) o instituidor foi indevidamente influenciado por terceiros. A seguir, apresentamos algumas boas práticas para prevenir esse tipo de disputa.
- Conhecimento/Consciência: Saiba quais etapas são necessárias para garantir que o testamento seja assinado corretamente. Se houver alguma dúvida sobre a capacidade mental do instituidor do testamento, peça a um médico que emita um atestado médico confirmando sua capacidade. Caso não seja possível obter um atestado médico, é melhor que o instituidor do testamento saiba disso o quanto antes. Nesse caso, ele pode simplesmente nomear um administrador sucessor para auxiliar na criação do testamento familiar e/ou planejamento sucessório, garantindo sua validade. Ele pode até mesmo nomear seu advogado especializado em planejamento sucessório.
- Intenção do Criador do Fundo Fiduciário: Um advogado de planejamento patrimonial cuidadoso orientará o criador do fundo fiduciário na análise do plano geral, buscando garantir que sua intenção real esteja claramente expressa nos documentos. Para reforçar a validade do documento, solicite a um segundo advogado independente que emita um certificado de revisão. É muito improvável que um tribunal invalide um plano patrimonial certificado por dois advogados diferentes.
- Influência indevida de terceiros: Evite futuras acusações de influência indevida, mantendo todos os beneficiários fora do processo de planejamento sucessório. Em vez disso, utilize os serviços do seu advogado de planejamento sucessório de longa data. Manter os beneficiários fora do processo
Comunicar
O instituidor do fideicomisso deve informar a família, os herdeiros e os beneficiários sobre seus objetivos e os motivos por trás deles. Ter essas conversas com as pessoas que serão afetadas desde o início pode ser uma maneira proativa de abordar o plano e alinhar expectativas desde o princípio.