A lei de direitos autorais protege obras criativas originais, mas exige que condições legais específicas sejam atendidas para que uma ação por violação de direitos autorais seja procedente.
Registro e Propriedade
O primeiro fator a ser abordado é a comprovação da titularidade de um direito autoral válido. Somente o titular do direito autoral ou um licenciado exclusivo possui legitimidade para iniciar um processo por violação de direitos autorais. De acordo com a legislação dos EUA, particularmente sob a diretiva de 17 USC § 411 (a)Para que uma ação judicial por violação de direitos autorais possa ser ajuizada, é necessário que a obra esteja registrada no Escritório de Direitos Autorais dos EUA. Embora não sejam exigidos detalhes completos do registro na fase inicial do processo, os autores devem alegar tanto a titularidade quanto o registro para que a ação possa prosseguir para a fase de produção de provas.
Cópia não autorizada
O segundo elemento em uma ação por violação de direitos autorais é provar que o réu copiou elementos constituintes originais da obra. Isso envolve demonstrar semelhança substancial entre a obra do autor e a obra supostamente infratora.
Semelhança substancial
O Nono Circuito utiliza um teste em duas partes para determinar a similaridade substancial:
- Teste Extrínseco: Compara as semelhanças objetivas de elementos expressivos específicos nas duas obras, distinguindo entre material protegido e não protegido. Expressões padrão, comuns ou corriqueiras dentro de um determinado meio não são protegidas pela lei de direitos autorais. A aplicação do teste extrínseco pode ser decidida pelo tribunal como uma questão de direito, tornando-o relevante na fase de pedido de indeferimento da ação.
- Teste intrínseco: Avalia a similaridade de expressão do ponto de vista de um observador comum e razoável, sendo reservado exclusivamente ao julgador dos fatos.
Acessibilidade
A viabilidade de uma ação judicial por violação de direitos autorais também depende da capacidade do demandante de demonstrar que o réu teve acesso ao material protegido por direitos autorais. Isso pode ser demonstrado diretamente ou por meio de uma rede de evidências circunstanciais, mostrando vínculos entre a obra do réu e a obra original do demandante, ou a ampla distribuição da obra original.
Obras Derivadas e sua Proteção
O detentor dos direitos autorais tem o direito exclusivo de criar obras derivadas com base na obra original. A violação de uma obra derivada sem autorização constitui violação da obra original, na medida em que a cópia não autorizada também reproduz elementos da obra original. Assim, infringir os direitos autorais de uma obra derivada afeta também a obra original, enfatizando ainda mais a abrangência dos direitos autorais.
Doutrina Cenas à Faire e Elementos Protegidos por Direitos Autorais
Os tribunais utilizam a doutrina das "cenas à faire" para determinar quais aspectos de uma obra protegida por direitos autorais são protegíveis. Elementos comuns ou banais, firmemente enraizados na tradição de um gênero, pertencem ao domínio público e não estão sujeitos à proteção de direitos autorais. Contudo, mesmo que elementos individuais não sejam protegíveis, uma compilação de elementos não protegíveis, se selecionados e organizados de maneira original, pode ser protegida.
Responsabilidade Concorrente e Vicária
O âmbito da lei de direitos autorais vai além da cópia direta, considerando a infração contributiva e a infração vicária. A infração contributiva ocorre quando um réu, ciente da atividade infratora de terceiros, induz, causa ou contribui materialmente para a conduta infratora. A infração vicária exige que o demandante demonstre que o réu se beneficia financeiramente da atividade infratora e tem o direito e a capacidade de supervisionar a conduta infratora. Essas formas de responsabilidade indireta têm suas raízes nos princípios do direito civil e da representação, respectivamente, e destacam o amplo escopo das responsabilidades e obrigações sob a lei de direitos autorais.
Estoppel em reivindicações de direitos autorais
A doutrina do estoppel pode impedir as reivindicações do titular dos direitos autorais se este fizer declarações intencionalmente enganosas sobre a abstenção de ação judicial, e o suposto infrator confiar nesse engano em seu prejuízo. Para ter sucesso com uma defesa baseada no estoppel, o réu deve demonstrar que o autor tinha conhecimento da conduta infratora, que o autor pretendia que o réu confiasse em sua conduta ou ato, de modo que o réu tivesse o direito de acreditar que essa era a intenção, que o réu desconhecia os fatos reais e que o réu confiou na conduta do autor em seu prejuízo.