Acordos de confidencialidade (NDAs, na sigla em inglês) são contratos vinculativos nos quais uma ou mais partes concordam em não divulgar informações confidenciais que compartilharam entre si como parte essencial da atividade comercial conjunta. Os NDAs podem gerar dúvidas quando um tribunal intima uma das partes a depor.
Um acordo de confidencialidade pode impedir uma testemunha de depor?
A maioria dos acordos de confidencialidade inclui cláusulas que eliminam as obrigações de confidencialidade caso uma das partes seja obrigada a depor por ordem judicial. Independentemente disso, um tribunal pode intimar uma testemunha a depor, mesmo que haja um acordo de confidencialidade em vigor. Portanto, se você for obrigado a depor, deverá fazê-lo, a menos que se aplique uma exceção (por exemplo, autoincriminação) ou um privilégio legalmente definido (por exemplo, entre casais, advogado e cliente, médicos e pacientes, etc.). Contudo, não existe privilégio para segredos comerciais.
Nos casos em que uma das partes é obrigada a depor, a testemunha deve notificar a outra parte de que o depoimento será obrigatório, para que esta possa solicitar uma ordem judicial de proteção. Se a parte obrigada se recusar a depor, poderá ser considerada em desacato ao tribunal e presa até que o faça. Contudo, mesmo que uma parte seja intimada judicialmente, a intimação pode ser contestada em alguns casos. Por isso, é importante consultar um advogado para determinar a melhor solução.
Um acordo de confidencialidade pode impedir você de denunciar um crime?
Em geral, nenhum tipo de acordo de confidencialidade pode impedir uma pessoa de denunciar um crime. A omissão de denúncia de um crime contraria a ordem pública. Por exemplo, a Flórida proíbe o ocultamento de perigos públicos. Mas e se você não tiver certeza se algo é ou não crime, como assédio sexual, cuja definição pode variar de estado para estado? Situações como essa dificultam saber se o seu acordo de confidencialidade o impedirá de se manifestar.
Recentemente, houve alegações de agressão sexual contra homens famosos e poderosos, como o produtor de Hollywood Harvey Weinstein e o apresentador do programa Today Show da NBC, Matt Lauer. Alguns empregadores, como o Sr. Weinstein, têm se baseado em acordos de confidencialidade para negociar indenizações com funcionários que sofreram assédio ou agressão sexual no ambiente de trabalho. Por conta disso, alguns funcionários permaneceram em silêncio por anos, temendo represálias legais caso denunciassem a agressão sexual à polícia ou ao departamento de recursos humanos.
Acordos de confidencialidade podem ser confusos quando você não tem certeza se algo é considerado crime ou não; por isso, o melhor é entrar em contato com um advogado para saber qual é a melhor opção para você.
O que acontece se você violar o acordo de confidencialidade?
A violação de um acordo de confidencialidade pode ter consequências graves (por exemplo, um processo judicial contra a pessoa que divulga as informações privadas). Normalmente, as medidas cabíveis em caso de violação de um acordo de confidencialidade estão previstas no próprio acordo. Portanto, é importante ter um acordo de confidencialidade detalhado, que inclua o que está coberto pelo contrato e as repercussões da divulgação de tais informações.